Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru (RDS) é uma  Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável criada com o objetivo de promover a conservação e o uso sustentável da biodiversidade. Foi eleita pela organização não governamental Fundo Mundial da Natureza (WWF) uma das áreas importantes para a conservação da Amazônia.

Foi criada pela Lei estadual n° 392, de11 de dezembro de 1997, com uma área de806.184 hectares, distribuídos nos territórios dos municípios de Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari e Mazagã. É gerida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) do Amapá.

A proteção da UC é favorecida pela dificuldade de acesso à área e pela presença de áreas protegidas em seu entorno. Situada na porção sudoeste do Estado do Amapá, a RDS limita-se ao norte com a Terra Indígena Waiãpi; a leste e nordeste com a Floresta Estadual do Amapá; a sudeste com o Projeto de Assentamento Agroextrativista do Maracá; ao sul com a Estação Ecológica  do Jari; e a oeste com o rio Jari, divisa com o Estado do Pará.

O acesso a partir da capital, Macapá, é pela BR-156, num percurso de cerca de 270 quilômetros até o município de Laranjal do Jari. Deste ponto até a localidade chamada Porto Sabão, no município de Almeirim, no Estado do Pará, percorrem-seainda aproximadamente 20 quilômetros. Deste local segue-se via fluvial por aproximadamente 15 quilômetros a montante do rio Jari.

A vegetação predominante na região é floresta densa de terra firme, com destaque para ocorrência da castanheira (Bertholletia excelsa), copaíba (Copaifera langsdorfii) e andiroba (Carapa guianensis Aubl).

A pressão antrópica sobre a área resulta de assentamentos no entorno e de garimpos clandestinos ao norte, nas cabeceiras de igarapés, dentro e fora da área, que fazem o limite da reserva. Embora não existam moradores nesta UC, cerca de 150 famílias residentes no entorno, distribuídas em sete comunidades, utilizam a RDS para atividades extrativistas, principalmente coleta de castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa) e breu branco (Protium pallidum). Além disso, essa população pratica a caça e a pesca de subsistência no interior da UC.

Apesar do grande desafio que representa implementar alternativas para o uso sustentável dos recursos naturais que sejam compatíveis com a capacidade de gestão das cooperativas e associações de moradores da área, a RDS se destaca pelas conquistas alcançadas por algumas comunidades neste sentido. 

Em 2005, o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) aprovou o primeiro processo de acesso ao patrimônio genético da biodiversidade brasileira para bioprospecção e desenvolvimento tecnológico. O processo envolve a Empresa Natura e a comunidade da Vila São Francisco do Iratapuru, para o fornecimento de breu branco (Protium pallidum), usado na produção de perfumaria e cosméticos da empresa. Posteriormente, outros contratos de repartição de benefícios foram firmados entre esta empresa e a comunidade (AMAPÁ, 2011).

FONTE: Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (SEMA/AP), livro: Áreas Protegidas do Amapá. , com apoio de técnicos do ICMBio/AP, da ONG Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ).